Time Out Lisboa review by José Carlos Fernandes


cf-1031The Empty Cage Quartet – Stratostrophic (CF 103)
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O nome deste quarteto de Los Angeles é enganador, pois a gaiola está longe de estar vazia. Lá dentro esvoaçam ideias variadas e originais, algumas bem esdrúxulas. Há um pouco de tudo: há um tema que se alonga por 17’24 mas também um que se consome em 0’24, momentos de liberdade sem peias e de cuidadoso entrosamento, de sarcasmo e de melancolia, de frenesim e introspecção. “Old ladies” é um bebop alucinado que leva a crer que as velhas senhoras não se limitam a comer scones e tomar chá de camomila, “Steps of the Ordinarily Unordinary” uma marcha entre o jocoso e a solenidade fingida, “Aurobindo” uma elegia subaquática. “Again a Gun Again a Gun Again a Gun” é uma fanfarra engasgada que nunca chega a acordo com uma bateria hiperactiva. “We are all tomorrow’s food” começa com sopros e contrabaixo meditativos mas a agitação desusada e incansável da bateria acaba por contagiar os outros instrumentos e levar mesmo o clarinete ao paroxismo.
O que salta aos ouvidos nesta mini-Babel sonora é o trabalho de conjunto – não há aqui lugar para heróis do solo quilométrico. A autoria dos temas é repartida entre Jason Mears (sax alto e clarinete) e Kris Tiner (trompete e fliscorne), mas os contributos de Ivan Johnson (contrabaixo) e Paul Kikuchi (bateria, percussão e electrónica) são insubstituíveis. A riqueza tímbrica é notável para um grupo desta dimensão, graças às inventivas combinações entre Mears e Tiner, ao recurso ao arco pela parte de Johnson e à alargada paleta percussiva e aos gadgets de Kikuchi.
O Empty Cage Quartet já tinha discos gravados em discretas etiquetas que não se costumam ver por cá. É bem-vinda a sua divulgação pela mão da Clean Feed e aguarda-se com expectativa a próxima gaiola cheia de música de plumagem variegada.

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