Time Out Lisboa review by Jose Carlos Fernandes


Jorrit Dijkstra – Pillow Circles (CF 166)
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Jorrit Dijkstra, um holandês emigrado nos EUA, já aqui tinha sido elogiado a propósito de Maatjes, editado sob o nome The Flatlands Collective. Dijkstra manteve alguns dos membros deste sexteto e juntou-lhe novos elementos, obtendo um octeto de luxo cujos nomes mais sonantes são Tony Malaby e Jeb Bishop.

Com gente deste gabarito e uma instrumentação original que, além de Dijkstra (sax alto, sintetizador e electrónica), Malaby (sax tenor e soprano) e Bishop (trombone), inclui uma viola de arco (um instrumento raro no jazz), duas guitarras eléctricas (uma delas alternando com banjo), contrabaixo e bateria, obtém-se uma paleta tímbrica que faz envergonhar muitas big bands. Sobretudo porque as composições e arranjos de Dijkstra sabem tirar o máximo deste ramalhete de instrumentos.

No jazz acontece que alguns discos apresentam line-ups respeitáveis mas depois acabam poor dar a impressão de se estar a ouvir sempre o mesmo tema. Pillow Circles tem nove temas apenas identificados por números, mas nenhum corre o risco de anonimato e em todos há marcas distintivas: exuberância de sopros sobre tapete rítmico ondulante (nº34), solo de viola a tocar as estrelas (nº65), clima elegíaco, onírico e planante que deixa subentender inquietações e dissonâncias subterrâneas (nº18). Por vezes, dentro do próprio tema há mais variedade que nalguns discos inteiros: na peça nº88, viaja-se, imperceptivelmente, da serenidade à apoplexia e depois regressa-se à serenidade, e a nº19 é um caleidoscópio que passa pelos mais diversos registos.

A fechar o CD, a peça nº23, é dedicada a Jonny Greenwood, guitarrista dos Radiohead, e é difícil não ver na proeminência dada às guitarras e ao ambiente épico e denso, um aceno à banda britânica.

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