Time Out Lisboa review by Jose Carlos Fernandes


TGB – Evil Things (CF 181)
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A tuba, o metal mais pesado do instrumentário, tem tido, vá lá perceber-se porquê, pouca aplicação no heavy metal e correntes similares, dominadas por guitarras em forma de V ou tridente. O segundo disco dos TGB corrige este desacerto – resta esperar que sirva de exemplo e que os Slipknot e os Metallica admitam o corpulento aerofone nas suas fileiras.

O amor dos TGB pelo rock pesado já se percebera no seu disco de estreia, que inclui “Black Dog”, dos Led Zeppelin. Em Evil Things revisitam-se, em registo irónico, outros decanos do género: Black Sabbath (o psicadélico e ronceiro “Planet Caravan”) e Deep Purple (“The Mule”). Mas não se ficam por aqui as incursões metálicas: “Nameloc” inclui uma paródia ao circo testosterónico do metal e “Aleister Crowley” incorpora os urros guturais de Paulo Ramos – e aqui a piada torna-se desnecessariamente explícita e longa. Além do grande virtuosismo (ninguém sabe do que uma tuba é capaz enquanto não ouvir Sérgio Carolino) e sentido de humor, outra das qualidades dos TGB é o ecletismo – e assim os momentos de sangue & tripas e as inquietações de filme de terror (“The Weird Clown”) convivem com o plácido “Interplay”, de Bill Evans, com planícies ondulantes de folk-country ambiental (com Delgado em guitarra acústica e dobro) e até com chocarreiras danças sul-americanas, a evocar Tom Waits e Marc Ribot (“Close Your Eyes”).

Não há, pois, razão para chamar um exorcista: os TGB estão possuídos, sim, mas pelo espírito da irreverência e da irrisão.

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