Time Out Lisboa review by José Carlos Fernandes


Michael Attias – Twines of Colesion (CF 188 )****
Como é Lisboa vista da América? Abre com solo de contrabaixo, a que se sobrepõe uma elegia para dois saxofones, depois contrabaixo e bateria iniciam uma marcha cambaleante, aqui e ali, há cintilações de piano, a melancolia sobe do rio e infiltra-se até aos ossos. O saxofonista Michael Attias pode não conhecer os cantos a Lisboa mas provavelmente conhece a poesia de Pessoa, pois o seu tema “Lisbon” é abúlico, repassado de tristeza e dado a mergulhar em meditações metafísicas enquanto contempla “o cais negramente reflectido nas águas paradas” (Ode Marítima).

Os intervenientes são todos músicos que se conhecem de diversas formações e já fazem parte da prata da casa Clean Feed – Attias, Malaby e Hébert têm discos em seu nome na editora. Pode ver-se este quinteto como uma expansão do trio Renku, de Attias com John Hébert (contrabaixo) e Satoshi Takeishi (bateria), por incorporação de Tony Malaby (sax) e Russ Lossing (piano). Aliás, Twines of Colesion foi registado ao vivo em três dias consecutivos no Salão Brazil, de Coimbra, durante o festival Jazz Ao Centro de 2008, ou seja, no mesmo local e pela mesma altura em que o trio gravava o recomendável Renku in Coimbra (também na Clean Feed).

A delicadeza e melancolia de Renku in Coimbra (e um dos temas, “Fenix Culprit”) transitam para Twines of Colesion, mas este é mais denso e tem assomos de vitalidade mais frequentes, muito por “culpa” de Malaby, que se inflama em solos arrebatadores, nomeadamente em “(New) Loom”, “Fenix Culprit”, “Hunter” e “Le Puits Noir”. Um disco variado, intenso e fluido, com um final que soa atabalhoado: após um prelúdio para dois saxofones enlaçados, o brevíssimo “The Maze and the Loom” termina quando dava ideia de que iria alçar voo.

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