Time Out Lisboa review by José Carlos Fernandes


cf-1021Scott Fields Freetet Bitter Love Songs (CF 102)
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Há uns tempos um artigo de opinião no Público verberava (injustamente) a banalidade dos nomes dos temas de jazz, quando confrontada com a inventividade do mundo do rock. O seu autor deveria ser encaminhado para o presente CD do guitarrista norte-americano Scott Fields, que inclui títulos como “Go Ahead, Take The Furniture, At Last You Helped Pick It Out” ou “Yeah, Sure, We Can Still Be Friends, Whatever”. Os títulos são todo um programa mas, nas notas que acompanham o disco Fields vai mais longe e dá a entender que não só é amargo como rancoroso.
A música deste disco de estreia do Freetet é menos vitriólica do que as palavras levariam a supor e tem uma forte componente de improviso. Fields prescinde dos pedais e parafernália com que habitualmente se faz acompanhar e liga a guitarra directamente ao amplificador. O seu propósito, diz, é “criar um universo sonoro monocromático”. O objectivo foi atingido, pois o ouvinte menos atento pode chegar a meio do disco com a sensação de a faixa 1 se ter estendido por 30 minutos. A monotonia quebra-se na segunda metade: em “Your Parents Must Be Just Ecstatic Now” passa-se das recriminações azedas à louça partida, “I Was Good Enough For You Until Your Friends Butted In” marina em melancolia avinagrada e “You Used to Say I Love You But So What Now” fecha em beleza esta meia dúzia de canções de amor confitadas em bílis. Apesar do mau feitio, Fields tem a cumplicidade de um duo rítmico buliçoso, fracturado e conspirativo, com o contrabaixista alemão Sebastian Gramss e o baterista português João Lobo, que passou num ápice do estatuto de “jovem promessa” ao de “valor seguro”.

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