Time Out Lisboa review by Jose Carlos Fernandes


Adam Lane’s Full Trottle Orchestra – Ashcan Rantings (CF 203)
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O novo CD da Full Throttle Orchestra (FTO) é uma desilusão. Não me interpretem mal: é um bom disco. Só que, depois de No(w) Music (Cadence) e New Magical Kingdom (Clean Feed), da FTO não se esperam “bons discos”, mas música que deixa o ouvinte virado pelo avesso e um pouco chamuscado. “Full throttle” significa “a todo o gás” e o septeto do contrabaixista Adam Lane, uma improvável síntese de Charles Mingus e Sonic Youth, estava à altura do nome. As expectativas para Ashcan Rantings eram altas, pois a FTO, inteiramente renovada, alinha agora os trompetistas Nate Wooley e Taylor Ho Bynum (quantos grupos podem dar-se a este luxo?), os saxofonistas Matt Bauder, Avram Fefer e David Bindman, os trombonistas Tim Vaughn e Reut Regev, e o baterista Igal Foni, tudo músicos de elite, quase todos líderes dos seus próprios grupos e quase todos representados no catálogo da Clean Feed.

Todavia, raramente a música de Ashcan Rantings atinge a intensidade, densidade, urgência e tensão das perorações de outrora. E não há virtuosos dos sopros que possam substituir a guitarra vitriólica de John Finkenbeiner, que era um alicerce do som da FTO. Também a escrita de Lane perdeu em foco e originalidade e não é coincidência que os melhores temas do novo disco sejam material “antigo”: “House of Elegant” vem de No(w) Music, “Ashcan Rantings” e “Lucia” foram escritos para o projecto 4Corners. Nas notas do CD, Lane explica que passou a delegar parte da direcção da FTO nos músicos, durante as secções improvisadas – e conclui-se que a democracia participativa deu em frouxidão. Acrescento uma hipótese para explicar a perda de gás: a de Ashcan… ter sido gravado por um grupo “ad hoc”, talentoso mas sem as necessárias horas de rodagem em conjunto.

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