Time Out review by Jose Carlos Fernandes


Fight The Big Bull – All is Gladness in the Kingdom (CF 169)
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Os aficionados da festa brava têm motivos para exultar: estão de regresso os Fight The Big Bull. Que não se inquietem os defensores dos nossos irmãos de quatro patas, que aqui não há picadores, matadores ou bandarilheiros e nenhum animal foi maltratado na feitura do disco. O mesmo não se pode afiançar em relação aos instrumentos, dados os uivos lancinantes e estertores inquietantes que se fazem ouvir.

O grupo tem sede não em Málaga, mas em Richmond, Virgínia, a metade espanhola do site bilingue da banda é hilariante (apresentam-se como “Luche La Bull Grande”) e as suas referências são, não Manolete e El Cordobés, mas Charles Mingus e Duke Ellington.

O anterior Dying Will be Easy foi um dos cinco discos de jazz de 2008 da Time Out Lisboa e só dois detalhes o separavam da perfeição: a gravação ao vivo nem sempre tinha a limpidez ideal e a duração ficava-se pela meia hora. O novo CD tem um som pujante e claro, dura 76 minutos e, como se isso não bastasse, Steve Bernstein, que em Dying Will Be Easy apenas redigia as notas de capa, salta para a arena como trompetista e compositor.

O guitarrista Matt White, o líder deste formidável undecateto, partilha com Bernstein a composição, assina um solo demoníaco em “Mothra” e faz de sirene de nevoeiro em “Eddie and Cameron Strike Back” – antes de o tema tomar o freio nos dentes e se lançar à desfilada.

Num tempo em que muito jazz cultiva a abstracção glacial ou o neo-classicismo sorumbático, é revigorante ouvir uma banda que, sendo resolutamente moderna, recupera a alegria, exuberância e visceralidade dos primórdios do género, com riffs contagiantes, ritmos avassaladores e solos apoplécticos. Quem é que faz o favor de trazer esta gente ao Campo Pequeno?

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