Bodyspace – Gard Nilssen’s Acoustic Unity – Firehouse


By Nuno Catarino

Fogo!
O baterista norueguês Gard Nilssen já não deverá ser um ilustre desconhecido para algum público português. Nos últimos anos passou pelo nosso país para se apresentar ao vivo em diferentes contextos: com o quarteto Cortex actuou na SMUP e no Goethe Institut; com o quinteto Zanussi 5 actuou em Coimbra, no festival Jazz ao Centro (a passagem ficou registada no disco Live In Coimbra, também edição Clean Feed). Mas além da sua participação nestes projectos de jazz contemporâneo, o baterista integra ainda os Bushman’s Revenge, power trio de rock abrasivo – ouça-se o seu recente Electric Klome – Live!. E, ainda para os lados do rock aberto, é ouvir os óptimos Puma, s.f.f..

Para a sua estreia na condição de líder, Gard Nilssen faz-se acompanhar de uma equipa exclusivamente acústica, conforme se anuncia na designação do grupo. Ao baterista juntam-se André Roligheten nos saxofones e Petter Eldh no contrabaixo. À primeira vista estes poderão não ser figuras de primeiro plano nas cenas jazz e improvisada, mas neste disco os dois músicos mostram rapidamente ao mundo todas as suas credenciais.

Também norueguês, Roligheten é um saxofonista evoluído com vastos recursos, envolvido em diversos projectos nórdicos como Albatrosh, Motorpsycho, Team Hegdal e Friends & Neighbors (com um disco na Clean Feed), além de integrar a respeitada Trondheim Jazz Orchestra. O sueco Petter Eldh é um contrabaixista versátil que tem tocado com Django Bates, Ralph Alessi, Kalle Kalima e Christian Lillinger. E – muito respeito – cita Dr. Dre, Charlie Parker e Peter Brötzmann como referências fundamentais.

Neste disco Roligheten chama a atenção desde cedo. É formidável a forma inventiva e enérgica como o seu saxofone como escavaca cada tema (aliás, metade das composições são da sua autoria). A bateria de Nilssen é uma máquina, mas o contrabaixo de Eldh não se deixa ficar atrás, esta dupla rítmica carbura sempre a alta intensidade. Não se tratando propriamente de free jazz típico, também chamado de “fire music”, este é um jazz aceso, com a clareza e garra da modernidade, que não hesita em queimar.

Os músicos resolvem rapidamente cada composição, com imaginação e um forte sentido prático. Se os temas não são complexos, a interpretação é incisiva, não se desvia do essencial, raramente perde o foco. Há um transversal sentido de unidade a conduzir o grupo, maior do que qualquer individualidade (mesmo que o saxofone se destaque ocasionalmente, pela sua função particular). A força da composição é essencial para o caminho do trio e está bem marcada ao todo o disco. A única excepção será a improvisação colectiva que fecha o álbum, e mesmo nesse tema há um forte sentido comum a guiar a música.

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