Free Form, Free Jazz | Pedro Melo Alves – In Igma ****(*)


By Fabricio Vieira

Fazia algum tempo que não tinha notícias do baterista e compositor Pedro Melo Alves, ao menos desde o lançamento de seu premiado “Omniae Ensemble”, de 2017. E eis que Melo Alves reaparece, e com um novo ambicioso projeto: In Igma. Este é um trabalho que foi desenvolvido no verão de 2019, em meio a apresentações em diferentes palcos, partindo de uma encomenda da Fundação Serralves para o festival Jazz no Parque. O compositor partiu de uma pesquisa que passa pelo erudito contemporâneo e tem nas vias da improvisação um importante canal. Para tanto, reuniu um fantástico grupo que conta com Eve Risser (piano), Mark Dresser (baixo), Abdul Moimême (guitarra) e as vozes de Aubrey Johnson, Beatriz Nunes e Mariana Dionísio, além de Alves na bateria e percussão. Ou seja, temos basicamente, entre contrastes e interações, duas sessões, a de vozes e a de cordas e percussão. Aqui o melhor é não falarmos em faixas, mas em partes (cinco) nas quais se dividem a obra. Não sei se Alves a concebeu assim, uma obra para ser ouvida de forma ininterrupta, mas é dessa forma que soa. Parece um erro ouvir apenas um ou outro tema: In Igma é uma composição para ser degustada sem interrupções em seus quase 40 minutos de duração, percorrendo cada parte com ouvidos focados, para não perder cada detalhe que faz o encanto do álbum. As vozes têm papel de grande importância, muitas vezes trabalhando no núcleo dos sons, em uma esfera fonética, além das palavras, em uma exploração poética que nos abre universos encantatórios e oníricos. O piano de Risser é outro ponto central. A artista francesa tem feito de seu instrumento um campo de exploração sem limites e isso se encaixa com perfeição à proposta de In Igma. É tocante vê-la protagonizando o final de “Organum”, com um breve belo solo que serve de transição a “In Igma II – On Meaning”, que abre com delicadas investidas ao teclado acompanhadas pela percussão. Pedro Melo Alves reafirma aqui a poderosa impressão deixada antes em “Omniae”, mostrando que realmente é um compositor de refinadas ideias.

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