Time Out – Chris Lightcap’s Bigmouth – Epicenter *****


By José Carlos Fernandes

Poderia pensar-se que dispor dos talentos de Chris Cheek e Tony Malaby (saxes), Craig Taborn (teclados) e Gerald Cleaver (bateria) e não lhes conceder grande espaço para solos seria um desperdício. Porém, o projecto Bigmouth, do contrabaixista Chris Lightcap, vive sobretudo do trabalho de conjunto e das esmeradas composições do líder. Os ingredientes essenciais que faziam de DeLuxe (2010, Clean Feed) um triunfo, e entre os quais está um apurado equilíbrio entre tradição e modernidade, mantêm-se no novo opus: há agora mais influências da pop nas composições e o que se perdeu em exuberância, ganhou-se em refinamento.
Sete das oito faixas do CD funcionam como uma suíte, Lost & Found: New York, que pinta um retrato musical da Big Apple e que vai do festivo “Nine South, impelido por uma malha obsessiva de piano eléctrico, a “Arthur Avenue”, etéro e nostálgico como a recordação de um lugar onde se foi feliz, do bop saltitante, nervoso e aéreo de “Epicenter” ao avassalador e épico “Down East”, passando por “Stone by Stone”, que flutua nas asas de saxofones elegíacos e harpejos de piano. Nova Iorque foi durante décadas a capital mundial do jazz e poucas vezes foi alvo de uma evocação tão sugestiva e intensa, que logo desperta a vontade de conhecer estas ruas “pedra a pedra”.
Inesperadamente, a derradeira faixa do CD retoma um clássico dos Velvet Underground, o majestoso “All Tomorrow’s Parties”, e injecta-lhe uma componente de psicadelismo e liberdade que converte o final da faixa num frenesim.
O único reparo que Epicenter suscita é o de termos tido de esperar cinco anos desde a saída de DeLuxe.

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