Time Out Lisboa review by José Carlos Fernandes


cf-1044Jason Stein A Calculus of Loss (CF 104)
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O mais próximo que este disco oferece de uma pulsação regular é um groove de blues manco em “Miss Izzy”. Nos restantes temas o percussionista Mike Pride está claramente mais interessado em explorar texturas e atmosferas – o que faz com grande sensibilidade e sentido de oportunidade. O facto de no lugar usualmente reservado ao contrabaixo estar um violoncelo – a cargo de Ken Davis – não contribui para a ortodoxia rítmica nem para uma pulsação robusta. Jason Stein começou por ser guitarrista de rock e blues e só quando ouviu Eric Dolphy percebeu que o seu destino estava no clarinete baixo. Claro que tendo sido empurrado para o clarinete por Mestre Dolphy a sua abordagem ao instrumento não é nada convencional. Em “Miss Izzy” Stein extrai dele um grito lancinante e estrangulado que deixará estarrecido quem do clarinete só conheça a faceta Benny Goodman. “167th St. Ellen” soa como uma família desavinda, com o violoncelo, usualmente associado a sonoridades calorosas, a uivar como um possesso. Já “Caroline and Sam” é pura evanescência, o que dá ideia da amplitude emocional que este trio consege explorar.
Jason Stein, que é talvez mais conhecido pela participação no grupo Bridge 61, um dos muitos projectos do workoholic Ken Vandermark, baptizou este seu grupo como Locksmith Isidore, em homenagem ao seu avô Isidore Stein, um serralheiro nova-iorquino que tinha o hábito de guardar o dinheiro dentro de um sofá. O Calculus of Loss do título não está relacionado com a crise financeira do crédito subprime, mas terá a ver com a contabilidade feita por Isidore ao que perdia por ter o dinheiro no sofá em vez de estar a render no banco. Já o preço a pagar por este CD de conteúdo insólito e desafiador está longe de se poder contabilizar como perda.

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